Em O terror da vida cotidiana, Vanessa Rodrigues Rabelo nos conduz por um horror que não depende de sustos fáceis ou criaturas sobrenaturais. O medo aqui nasce do que é íntimo, humano e dolorosamente reconhecível. A autora expõe as fissuras das relações humanas, a desigualdade, a vaidade e a solidão, transformando o comum em algo perturbador. Cada conto carrega a sensação de que o perigo mora exatamente onde baixamos a guarda.
O que mais impressiona é a forma como Vanessa constrói esse terror silencioso. Sua escrita é precisa, simbólica e profundamente incômoda. Ela não grita o horror ela o sussurra. Há uma brutalidade contida, quase elegante, que torna a leitura ainda mais inquietante. O realismo se mistura a imagens fortes e simbólicas, criando uma atmosfera que lembra pesadelos lúcidos: tudo parece real demais para ser ignorado.
Este foi meu primeiro contato com a escrita da autora, e foi uma experiência marcante. Vanessa demonstra domínio narrativo, sensibilidade para explorar temas difíceis e coragem para expor o lado mais sombrio do ser humano sem filtros ou suavizações desnecessárias. Sua escrita provoca, incomoda e permanece com o leitor muito depois da última página.
O terror da vida cotidiana é leitura indicada para quem entende que o maior monstro não está no escuro, mas dentro de nós mesmos e que o horror mais eficaz é aquele que reflete a realidade.

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