Enganoso Coração se destaca não apenas pelo que diz, mas pela forma como a autora escolhe dizer.
Sua escrita é visceral, delicada e, ao mesmo tempo, cortante como quem aprendeu a transformar dor em linguagem e sentimento em poesia.
Cada poema nasce de um lugar profundamente íntimo, mas alcança o leitor com uma naturalidade impressionante, como se aquelas palavras também fossem suas.
A autora constrói versos livres, carregados de emoção e metáforas precisas, que não buscam enfeitar a dor, mas compreendê-la.
Sua poesia não grita por atenção: ela sussurra verdades incômodas, expõe fragilidades e convida à reflexão.
Há uma honestidade crua em cada página, uma coragem rara de escrever sem máscaras, permitindo que o coração enganoso se revele em suas contradições amar demais, cair, levantar e, ainda assim, continuar sentindo.
Os poemas transitam entre amor e desamor com fluidez, revelando uma escrita madura, sensível e consciente de si.
A autora domina o silêncio entre os versos, sabendo exatamente quando dizer mais e quando deixar que o leitor complete com suas próprias dores e lembranças.
É uma poesia que acolhe, mas também confronta; que fere suavemente para depois curar.
Enganoso Coração é, acima de tudo, um retrato da escrita como sobrevivência.
Um livro que mostra que a autora não escreve para agradar, mas para existir e é justamente isso que torna seus poemas tão potentes.
Uma obra para quem valoriza poesia sentida, escrita com alma, verdade e uma sensibilidade que permanece ecoando muito depois da última página.


