Erick Couto nos convida a mergulhar em uma narrativa
cativante e nostálgica, ambientada nos anos 1990, em sua obra Água Viva e a Rainha Neuza. Desde
as primeiras páginas, somos conduzidos por uma escrita envolvente que nos
prende não apenas pela trama, mas pelo modo como o autor recria o cenário e o
clima de uma época marcada por mudanças e silêncios.
O protagonista, Gustavo, é um jovem introspectivo,
apaixonado por livros e pelo jogo de xadrez um universo particular que lhe
oferece abrigo diante de um mundo em que não se sente acolhido. Seu afastamento
do convívio social não é uma escolha leviana, mas uma resposta ao desinteresse
e à incompreensão que encontra dentro de casa. A indiferença da família diante
de seu jeito reservado e a tensão constante com um irmão hostil tornam sua
rotina ainda mais solitária.
A narrativa alterna passagens do presente e
lembranças marcantes do passado, revelando aos poucos os sentimentos de Gustavo a solidão, o desejo de pertencimento e a busca por sentido em meio à rotina
pacata de uma cidade pequena. Couto constrói esses momentos com sensibilidade,
dando voz a uma juventude silenciosa, muitas vezes ignorada.
Outro ponto alto da obra são as ilustrações que
antecedem cada capítulo. Além de enriquecerem a experiência estética, elas
reforçam a atmosfera da história, tornando-a ainda mais imersiva. Os
personagens são cuidadosamente trabalhados, cada um com seu papel essencial na
trajetória de Gustavo, contribuindo para uma trama bem amarrada e repleta de
emoção.
Mais do que uma simples história de amadurecimento, Água Viva e a Rainha Neuza provoca
reflexões profundas sobre a importância de escutar, compreender o outro e
enfrentar as marés da vida com coragem. Às vezes, aquilo que procuramos está
mais próximo do que imaginamos basta olhar com atenção.


