Sabe aquele livro que já encanta só pela capa? Foi exatamente assim que comecei a leitura de Por que falei de Flores?, de Adelize Maccalli. Uma história fascinante e inspiradora, que emociona a cada virada de página. Nela, conhecemos Elizabeth, uma mulher incrível, mas que, até então, vivia com seus sonhos enterrados.
Elizabeth é uma jovem senhora casada com Lúcio, um homem egocêntrico, manipulador e violento. Dona de um coração puro, ela acreditava ser feliz dentro de um casamento fechado, onde sequer podia fazer o que realmente gostava afinal, seu “digníssimo” esposo não permitia. Trabalhadora, ela encontrava pequenos refúgios nos momentos em que cuidava do jardim e ouvia música alta, mas tudo isso precisava acontecer às escondidas, pois, segundo Lúcio, “música alta parecia coisa de bordel”.
Tudo começa a mudar no almoço de Dia dos Pais, na casa dos pais dela. Sua irmã chega cheia de vida, leveza e liberdade e isso desperta em Elizabeth uma profunda admiração e um incômodo inevitável por estar vivendo o oposto. A partir daquele dia, algo muda dentro dela. Elizabeth mergulha em uma fase de autodestruição, percebendo que nunca havia realizado seus próprios sonhos. Sem saber como reagir, ela passa a se tornar apática às agressões do marido. Até que, um dia, ela diz basta. Determinada, Elizabeth arma tudo para sair daquela vida e, mesmo diante da reação violenta de Lúcio, decide ir embora rumo ao desconhecido.
Ela muda de cidade, arruma um emprego, cuida de si e começa, aos poucos, a ver as cores da vida ressurgirem. A escrita de Adelize é fluida e aconchegante, sem rodeios ela nos presenteia com uma história belíssima, repleta de lições valiosas por meio da trajetória de Elizabeth, que não apenas precisa perdoar o ex-marido, mas também aprende que para viver plenamente é essencial se perdoar.


