Tudo começou como uma simples brincadeira entre amigos daquelas que parecem inofensivas, quase infantis, mas que carregam uma centelha perigosa. Sérgio, Guido e o irreverente Cabelo eram inseparáveis desde os tempos de colégio. Na universidade, levaram sua sede por adrenalina a outro nível: criaram um ritual entre calouros, que logo se espalhou como lenda nos corredores da faculdade. Chamaram de O Desafio do Corredor.
A regra era clara e cruel: o calouro escolhido deveria atravessar um corredor longo e sombrio, em um prédio abandonado do campus, durante a noite. A única condição? Não olhar para trás. Não importa o que ouvisse. Não importava o que sentisse.
A “assombração”, claro, era uma encenação e Cabelo se esmerava nisso. Roupas esfarrapadas, urros ensaiados, passos sincronizados com o eco da própria lenda. Era só um susto, diziam. Só uma piada. Até que chegou a vez de Tadeu.
Naquela noite, algo mudou. A atmosfera pesou, como se o próprio prédio soubesse que aquele seria o último desafio. Ninguém esperava que Tadeu desaparecesse. Ninguém imaginava que a brincadeira se tornaria realidade. E quando os gritos deixaram de parecer fingidos, já era tarde demais para voltar atrás.
Com maestria, Guilianno Liberalli conduz o leitor por uma trilha de tensão crescente, onde a linha entre travessura e terror verdadeiro se desfaz pouco a pouco. O conto prende como uma armadilha bem planejada: primeiro o riso fácil, depois o silêncio incômodo, e por fim, o arrepio inevitável. Sem apelar para o grotesco, o autor dosa medo e mistério com precisão, criando uma narrativa que lembra os melhores filmes de terror juvenil onde a brincadeira tem hora para começar, mas nem sempre para acabar.
O final é impactante e imprevisível, daquelas viradas que fazem o leitor repensar cada página lida. Mais do que um susto, é um convite para imaginar o que pode estar espreitando atrás de você… exatamente agora.
Se você gosta de contos que desafiam a coragem do leitor e fazem hesitar antes de apagar a luz, O Desafio do Corredor é leitura obrigatória. Mas atenção: depois dele, atravessar um corredor escuro nunca mais será a mesma coisa.
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